Arquiteto relata riscos de perda de patrimônio

Arquiteto relata riscos de perda de patrimônio

A destruição de parte do prédio conhecido como Palacete dos Fellet colocou em discussão a preservação de bens tombados em Juiz de Fora. A cidade conta com 186 monumentos tombados, que se dividem entre os que estão conservados e ajudam a contar a história. Outros sofrem com a ação do tempo e a falta de manutenção, o que pode ser um risco para a história, segundo o diretor de patrimônio do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) de Minas Gerais, Marcos Olender.

No início de abril, a fachada do Palacete dos Fellet foi destruída na Rua Espírito Santo. Um vídeo flagrou um homem, ainda não foi identificado, quebrando a parede a marretadas. Ele teria invadido o terreno pulando o muro sem qualquer cuidado ou equipamento de segurança. No início da noite praticamente toda a frente estava no chão.

Em 4 de abril, a Fiscalização da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) esteve no local, tirou fotos e conversou com vizinhos. Um relatório será entregue à Fundação Alfredo Ferreira Lage e, depois, será encaminhado ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Compacc). O caso também será investigado pelo Ministério Público (MP), em Belo Horizonte.

Preservação

Viver em um casarão centenário é um prazer para Paulo Eduardo Bracher. Há 62 anos, o imóvel conhecido como o Castelinho dos Bracher, pertence à família dele. A residência foi uma das primeiras projetadas por Raphael Arcuri, com detalhes da técnica art nouveau. “Sempre com este espírito de preservar, conservar, deixar o mais próximo possível do que era originalmente, porque é a primeira obra do Arcuri em Juiz de Fora, então ela carrega muita história”, explicou.

É um dos bens tombados pelo patrimônio municipal e precisa seguir as regras de preservação. Eles têm a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por direito, e há alguns dias conseguiram verba da Lei Murilo Mendes para a retirada de cupins que podem comprometer parte da estrutura. “A gente não pode mexer, não pode descaracterizar. Mas tudo exige uma mão de obra mais especializada e acaba ficando mais caro. A gente vai tentando manter na medida do possível”, afirmou Paulo Bracher.

Outro exemplo está na Praça da Estação, no Centro. O Hotel Renascença também está na lista dos patrimônios tombados e preserva a fachada centenária. O imóvel marca a fixação de imigrantes na cidade e representa o início do desenvolvimento econômico local.

Entre os bens tombados, 18 são casarões espalhados principalmente no Centro. Um deles, um hotel em estilo art déco que fica na esquina da Rua Batista de Oliveira com a Avenida Getúlio Vargas possui paredes desgastadas, infiltração por causa da umidade e até matos já bem crescidos podem ser vistos. Com isso, as características originais podem ser prejudicadas.

O diretor de patrimônio do IAB de Minas Gerais, Marcos Olender, destacou a necessidade de mudança de mentalidade dos proprietários para evitar a perda de parte da história da cidade.

“Quando um bem é reconhecido como de importância para aquela comunidade, dependendo do nível de tombamento, o que está se dizendo é que este bem que, chegou até hoje em bom estado, é uma referência histórico-cultural. Em vários países do mundo os proprietários entendem isso como um prêmio. Aqui no Brasil isso está mudando, mas ainda vários proprietários a partir deste momento que o edifício é reconhecido como de importância cultural parece que estigmatiza o edifício”, analisou.
 

 

Fonte: Obra24Horas

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