Cidades reduzem investimentos em 2015 depois de amplo crescimento em 2014

Cidades reduzem investimentos em 2015 depois de amplo crescimento em 2014

Os municípios brasileiros conseguiram ampliar seus investimentos em obras em 2014 em 20,6%, totalizando um montante de R$ 49,27 bilhões contra os R$ 40,85 bilhões realizados no ano anterior, segundo o anuário Multi Cidades – Finanças dos Municípios do Brasil, da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) em parceria com a Aequus Consultoria. Apesar do crescimento, economistas avaliam que ainda é um valor insuficiente para recompor o nível dos investimentos ao pico da série histórica, de R$ 54,67 bilhões, registrado em 2012.


Sem contar com as capitais, as maiores taxas de crescimento foram registradas nas cidades de Duque de Caxias-RJ (196,5%), Feira de Santana-BA (97,2%), Juiz de Fora-MG (76,6%), Nova Iguaçu-RJ (62,4%) e Santo André-SP (40,7%). 

Já as capitais responderam por 29,1% de todo o investimento realizado pelos municípios brasileiros, com uma média de crescimento de 7,7%. Entre os destaques, segundo a publicação, estão: Boa Vista (284,3%), Natal (204,1%), Salvador (86,9%), Florianópolis (57,6%) e João Pessoa (57,5%). Em termos absolutos, os maiores acréscimos ocorreram no Rio de Janeiro (R$ 612,6 milhões), Natal (R$ 387,4 milhões), Salvador (R$ 192,1 milhões), Boa Vista (R$ 182,9 milhões) e São Paulo (R$ 155,8 milhões).

De acordo com o anuário, o aumento dos investimentos em 2014 ocorreu por terem sido muito reduzidos em 2013, ano de início de mandato, quando normalmente as administrações municipais reduzem os gastos e priorizam o planejamento dos projetos para o novo mandato.

“Em 2013 houve uma queda de 25,3%, só comparada à retração ocorrida em 2009, ano da crise financeira internacional. Por esse motivo, mesmo com o aumento de 20,6%, o valor investido em 2014 não superou o de 2012, de R$ 54,67 bilhões, o maior valor já registrado, corrigido pela inflação. O levantamento considera como investimento as despesas com obras, compras de equipamentos e também as inversões financeiras que são utilizadas, por exemplo, para o pagamento das desapropriações”, explicou Tânia Villela, economista e editora do anuário.

Pelo estudo, em 2014, houve crescimento em todas as fontes de recursos destinadas aos investimentos municipais, com destaque para as operações de crédito e as transferências de capital realizadas pelos estados e pela União. No primeiro caso, as operações, que nos sete anos anteriores a 2014 bancaram em média 6,7% dos investimentos municipais, somaram R$ 5 bilhões e representaram 10,2%, em 2014. Já as transferências dos estados passaram de 8% do total investido pelos municípios, na média dos sete anos anteriores a 2014, para 10,5% (R$ 5,2 bilhões), em 2014. E as transferências de capital da União subiram de 16,8% para 17,3%, ou R$ 8,5 bilhões, na composição dos investimentos municipais, no mesmo período.
Villela lembra que em anos eleitorais sempre ocorre uma expansão das transferências para investimentos dos estados e da União para as cidades. “Basta observar a série história dos dados: as receitas de capital crescem no ano eleitoral e caem no ano seguinte, invariavelmente”, citou a economista. 

Desempenho 2015

Para 2015 o cenário já é bastante diferente. Um levantamento feito pela Aequus Consultoria com base nos dados de 20 capitais disponíveis no Compara Brasil (www.comparabrasil.com) aponta que no ano passado houve uma redução de 3% nos investimentos, considerando os valores corrigidos pela inflação. Se excluir o Rio de Janeiro, que teve um crescimento em obras de 34% por conta das Olimpíadas, a queda alcança 17% nas 19 capitais.

Das 20 capitais selecionadas, além do Rio de Janeiro, apenas Cuiabá e São Luís conseguiram registrar aumentos nos investimentos em 2014 e 2015, consecutivamente. Já Vitória, Belo Horizonte, Recife e Aracaju sofrem seguidas quedas nos dois últimos anos, sendo que Vitória e Aracaju já haviam tido fortes retrações em 2013. 

Para o secretário executivo da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Gilberto Perre, os municípios estão muito empenhados em manter as contas equilibradas. O mandato que se encerra neste ano foi marcado por ajustes em diversas áreas da despesa municipal e, com a crise econômica, o investimento é, normalmente, o item do gasto que mais sofre cortes. “Em muitos casos, os gestores municipais reduzem os investimentos para poderem manter os serviços básicos em pleno funcionamento. E as prefeituras com capacidade de endividamento recorreram às operações de crédito para realizarem investimentos inadiáveis”, comentou.

 

Fonte: Obra24Horas
 

Notícias Relacionadas

Como recuperar obras com problema estrutural?

 

Os síndicos de condomínios ou proprietários de casas,...

Ler mais >>
Critérios para escolha do sistema de estruturas de concreto armado

A escolha de equipamentos deve se basear em critérios...

Ler mais >>
Cenário está mais otimista para a construção, diz CNI

 

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que...

Ler mais >>