Produtividade brasileira na construção ficou abaixo da média mundial na última década

Produtividade brasileira na construção ficou abaixo da média mundial na última década

São Paulo, 15 de janeiro de 2016 – Estudo do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a partir de uma análise de dados da construção no Brasil e de um conjunto de 17 países, apresenta números da produtividade da mão obra da construção para o período de 2003 a 2013. 

O Brasil possui um duplo gap: os desníveis de produtividade da construção em relação à média da economia brasileira e da construção brasileira em relação ao mesmo setor na maioria dos países estudados. 

Em 2003, a produtividade setorial no Brasil era 32,5% inferior à média da economia do país. Esse diferencial se manteve até 2013, ainda que com oscilações, tendo chegado a 31,7% em 2013. Por sua vez, o diferencial em relação aos países desenvolvidos pode ser bem percebido na comparação com a produtividade americana: em 2013, a mão de obra na construção brasileira alcançou apenas 20% da produtividade nos EUA.

Entre 2003 e 2013, enquanto a produtividade chinesa cresceu 108,4%, no Brasil a elevação foi de 20,6%. Dessa forma, se a produtividade da construção da China continuar no mesmo ritmo dos últimos 10 anos , ou seja, crescendo à taxa anual de 7,62% e o Brasil crescer à taxa de 1,89% - referente ao período 2003-13 -, em 2019 a produtividade chinesa já será maior que a brasileira.

Esses dados decorrem de diferentes elementos e a reflexão sobre a experiência de alguns países lança luz sobre diversos deles: intensidade e duração do ciclo setorial, reflexos do ambiente macroeconômico, intensidade da utilização de processos industrializados e qualificação da mão de obra estão entre os aspectos de maior interesse para o correto diagnóstico do caso brasileiro. 

A estrutura tributária vigente no país, por exemplo, introduz distorção com grandes impactos na produtividade. Mesmo tendo acesso a recursos e pleno domínio da técnica, a empresa poderá não utilizá-los por conta de distorções de natureza fiscal. No Brasil, as disputas fiscais entre os estados inteferem na localização de plantas e centros de distribuição de materiais de construção. Com isso, em muitos casos, são introduzidos custos e riscos logísticos desnecessários na tentativa de reduzir o ônus tributário.

Segundo o vice-presidente do SindusCon-SP, Francisco Vasconcellos, há um longo caminho a trilhar para garantir a elevação da produtividade da construção brasileira, reduzindo o gap que nos separa dos países mais desenvolvidos. “Perdemos em questões logísticas, tributárias, com a instabilidade macroeconômica e  de gestão.” Neste sentido, devem ser considerados: a estrutura tributária, burocracia, o custo do capital e a previsibilidade (econômica e regulatória). E diante da piora do cenário econômico, o esforço para ganhar posições nesse ranking será ainda maior. “A produtividade da construção é um fator vital para a retomada do crescimento econômico brasileiro”, finaliza. 

Fonte:obra24horas

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