SEM RISCO ERGONÔMICO

SEM RISCO ERGONÔMICO

Para entender o que é ergonomia na obra basta lembrar, primeiro, que o trabalho tem que ser seguro. “Riscos chamados ergonômicos trazem limitações físicas, em função do levantamento indevido de peso e, consequentemente, problemas psicológicos”, explica José Bassili, gerente de segurança ocupacional do Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP).

Traduzindo em palavras mais simples, risco ergonômico é aquele existente quando o profissional de obra levanta, transporta, empurra, faz carga ou descarga de objetos pesados, como blocos, sacos de cimentos, caixas, entre outros.

O risco está na possibilidade de ocorrência de lesões musculares ou até doenças ocupacionais sérias, que afastam o trabalhador do canteiro e podem dar muito trabalho à família, em casa. Ergonomia, portanto, nada mais é que ter cuidado ao trabalhar, respeitando os limites do corpo humano, sem pressa e com muita responsabilidade.

Para tanto, atente ao peso: o limite que pode ser levantado sem causar problemas à saúde é de até 40 quilos, para homens de 18 a 35 anos, ou de 20 quilos, para mulheres dessa mesma faixa etária.

Já quando for transportar cargas, é recomendado segurar a carga com firmeza; posicionar-se com os pés afastados, um à frente do outro e, sempre que precisar abaixar, dobrar os joelhos, mantendo cabeça e coluna em linha reta.

Na hora de levantar a carga, faça força com as pernas e não com as costas. Para ajudar, traga a carga para perto do corpo, mantendo-a centralizada, na altura da cintura, durante todo o percurso. Agora, quem se esforça são os braços, nunca a coluna!

Sem estragos

Entre as doenças mais comuns causadas pelo levantamento, transporte e descarregamento de areia, brita e tijolos com o carrinho de mão estão as lombalgias - dores na região lombar da coluna. Há muitos profissionais que sofrem também de tendinites e hérnias, tipos de lesões provocadas por esforços repetitivos, ao longo de vários anos.

O transporte de vergalhões de ferro nos ombros, de madeira ou sacos de cimento na cabeça, ou ainda de pedras com as mãos, podem contribuir para a manifestação de problemas de saúde.

“Nem sempre as empresas oferecem treinamento ou esclarecimentos sobre recomendações ergonômicas para evitar lesões”, avalia a engenheira civil da Universidade Federal da Paraíba Nelma Mirian Chagas de Araújo, que pesquisou sobre o tema.

Também segundo a Fundacentro, entidade que desenvolve ações em prol da segurança do trabalhador, antes de suas atividades, os profissionais de obra devem verificar o tamanho, a forma e o volume da carga a ser levantada e transportada, para analisar o jeito mais seguro de trabalhar.

O peso da carga, a existência de pontas ou rebarbas e a necessidade de utilizar equipamentos de proteção individual - luvas, máscaras, aventais e sapatos de segurança com biqueiras de aço - também devem ser observados para eliminar todos os riscos.

Papel do empregador

É o empregador quem tem que fazer uma análise ergonômica do trabalho, a fim de identificar e contornar riscos. Esta é uma exigência da NR-17, norma de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ele pode contratar empresa terceirizada ou um ergonomista para fazer a identificação dos riscos – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).

A fiscalização dos trabalhos no canteiro, entretanto, apenas poderá ser realizada por auditores fiscais do MTE. “Programas de segurança como o de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) devem ser implantados e cumpridos”, complementa Nelma Araújo.

Fonte: mapadaobra

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