Sondagem de Solo - Viaduto em BH

Sondagem de Solo - Viaduto em BH

Belo Horizonte — O Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (Ibape) aguarda autorização da polícia para iniciar uma sondagem no solo onde desabou o viaduto Guararapes, na região da Pampulha, próximo ao estádio do Mineirão, palco de Brasil e Alemanha na próxima terça-feira. O laudo conclusivo do instituto vai subsidiar o inquérito da Polícia Civil que poderá apontar causas e culpados pela tragédia, que ganhou grande destaque na imprensa nacional e internacional.

De responsabilidade da prefeitura, a obra foi financiada com recurso do PAC Mobilidade e deveria ter sido inaugurada para a Copa do Mundo, mas caiu na quinta-feira à tarde matando duas pessoas esmagadas e ferindo outras 23. Para o vice-presidente do Ibape, Clémenceaur Chiabi Saliba Júnior, é fato que o acidente foi provocado pelo afundamento dos pilares. O especialista, pela primeira vez, levantou a hipótese de uso de material de construção de qualidade duvidosa.

Queremos analisar o solo, verificar se a fundação foi executada conforme o projeto, verificar se o projeto de fundação foi adequado para suportar a carga do viaduto. Depois tem que verificar se a obra foi executada de acordo com o projeto e aí vem a qualidade dos materiais. O aço vem da indústria, o concreto tem controle de qualidade. Então a possibilidade dos materiais existe, a gente não pode negar, tem que ser verificada — destacou Saliba Júnior.

O estudo de sondagem leva no máximo três dias para ficar pronto. Saliba Júnior mostrou receio em relação ao trabalho de demolição dos destroços da obra. De acordo com ele, para preservar as provas do local a estrutura de concreto precisa ser cortada em partes e fazer escoramento. A prefeitura corre contra o tempo para liberar a via, uma das principais da cidade, e que dá acesso ao estádio do Mineirão e ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, já que BH será palco da semifinal da Copa.

Neste sábado, moradores de um prédio vizinho à obra interditaram o trânsito no desvio da avenida Pedro I. Por cerca de uma hora, o grupo cobrou da prefeitura e Defesa Civil garantias de que a estrutura do edifício não foi abalada com o desmoronamento

Por volta das 15h da quinta-feira, quatro veículos foram atingidos pelo viaduto. Dois caminhões, um veículo de passeio e um ônibus coletivo de transporte suplementar. Os corpos dos motoristas do ônibus e do carro – Hanna Cristina dos Santos e Charles Frederico Moreira Nascimento – foram sepultados ontem em cerimônias emocionadas. As intervenções na avenida chamaram atenção do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que encontrou indícios de superfaturamento de R$ 6 milhões e sobrepreço de quase 350% em alguns itens da construção em relação aos valores de mercado. O processo ainda está tramitação, mas a prefeitura nega irregularidades.

 

Autor: Ezequiel Fagundes

Fonte: extra.globo.com

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